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Após o surto num cruzeiro internacional da Argentina, o hantavírus voltou a ser notícia, gerando preocupação entre a população. Agora que os sistemas de vigilância foram activados, os especialistas em saúde insistem em transmitir calma e tranquilidade, argumentando que o risco para a população continua a ser baixo. Neste artigo, dizemos-lhe tudo o que precisa de saber sobre este vírus.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um vírus da família hantaviridae. É um vírus zoonótico e pode afetar naturalmente diferentes espécies de roedores.
Existem diferentes estirpes ou variantes de hantavírus, dependendo da área geográfica, algumas das quais afectam os seres humanos. Na Europa, algumas destas variantes do vírus que nos afectam causam geralmente uma doença renal ligeira, enquanto na América, outras, como a estirpe dos Andes (a causa deste surto), produzem uma doença cardiopulmonar mais grave.
Como é transmitido o hantavírus
A principal via de transmissão é o contacto direto com a urina, as fezes ou a saliva de roedores infectados, principalmente em espaços fechados mal ventilados (cabanas, serrações, armazéns...) ou com a presença de excrementos contaminados.
Como se pode ser infetado? Os seres humanos podem ser infectados se:
- Inalar poeiras contaminadas de partículas de urina ou fezes de roedores infectados.
- Manusearem superfícies ou materiais previamente contaminados.
- Entrarem em contacto direto com roedores infectados.
É importante notar que a transmissão direta entre humanos é muito rara. No caso da variante dos Andes, a transmissão ocorre de forma limitada em espaços fechados e após contacto próximo e prolongado com pessoas sintomáticas.
Sintomas do hantavírus
O período de incubação do hantavírus varia geralmente entre alguns dias e 6 semanas após a exposição. Os sintomas são frequentemente inespecíficos e podem ser confundidos com outras infecções virais, tais como
- Febre
- Dores musculares
- Náuseas e/ou vómitos
- Cansaço
- Dores de cabeça
- Tonturas
- Dificuldades respiratórias
- Pressão arterial baixa
Os sintomas registados no surto de hantavírus no navio de cruzeiro são respiratórios e gastrointestinais. Atualmente, não existe tratamento eficaz nem vacina para o hantavírus. A deteção precoce do hantavírus e os cuidados médicos adequados são a melhor ferramenta para controlar o vírus.
Como prevenir a infeção
Eis as medidas de prevenção do hantavírus mais adequadas:
- Ventilar e limpar os espaços fechados.
- Fechar ou vedar os pontos de acesso dos roedores.
- Armazenar os alimentos de forma segura.
- Proteção com máscaras FFP2 e utilização de luvas se estiverem presentes restos ou secreções de roedores.
- Lavagem frequente das mãos.
- Evitar o contacto próximo com pessoas sintomáticas.
- Isolamento e comunicação de sintomas compatíveis às autoridades sanitárias se tiver havido contacto próximo com roedores ou pessoas infectadas.
- Precauções higiénicas extremas em caso de viagens ou actividades em zonas rurais ou naturais, seguindo sempre as indicações das autoridades locais.
Hantavírus em Espanha
As autoridades sanitárias internacionais e a OMS activaram diferentes protocolos de rastreio, acompanhamento, controlo e monitorização para evitar novos casos.
Na situação atual, tanto o Ministério da Saúde como os especialistas em Saúde Pública e outras organizações médicas apelam à calma, uma vez que mantêm uma vigilância epidemiológica ativa e recordam que o risco de transmissão continua a ser muito baixo em Espanha.
As últimas notícias sobre o caso podem causar preocupação e incerteza, especialmente após as recentes experiências a nível mundial com a COVID-19. No entanto, devemos ter em conta que as autoridades sanitárias nos informam que o surto é limitado e está sob controlo. Neste caso, o sistema de saúde está preparado para prestar cuidados seguros aos passageiros dos navios de cruzeiro e para reduzir o risco de novas infecções.